sexta-feira, 8 de março de 2013

Uso de milho grão inteiro em dietas de terminação de confinamentos


De maneira geral, grãos de cereais, representam a principal fonte de energia em rações de bovinos de corte terminados em confinamento. Nos últimos anos tem aumentado o interesse e a viabilidade da inclusão de doses cada vez maiores de grãos nas rações de bovinos confinados em terminação no Brasil em virtude do crescimento expressivo da safra nacional, do custo elevado da energia contida em forragens conservadas e por questões de operacionalidade nos confinamentos de grande porte.
Para rações formuladas em confinamentos, no Brasil, a inclusão média de volumoso é de 28,8% na matéria seca (MS) da dieta total (Oliveira e Millen, 2011). Inclusões altas de volumosos em dietas de terminação economicamente não são competitivas quando comparadas com grãos e co-produtos, além de reduzirem a energia líquida de ganho, aumentar o custo por unidade de energia metabolizável (EM) e dificultar o manejo e gerenciamento em confinamentos comerciais.
Rações com teores mais altos de grãos propiciam ganho de peso mais rápido, melhor conversão alimentar, carcaças com melhor acabamento e rendimento e menores custos operacionais no confinamento, o que pode tornar a atividade mais rentável.
O uso de grãos de milho inteiro pode ser interessante em determinadas situações, pois permite trabalhar com níveis mínimos de forragem ou sem foragem alguma na dieta total (Gorocica-Buenfil e Loerch, 2005).
Dietas com milho grão inteiro e sem volumoso são utilizadas na prática desde a década de 70 nos EUA e mais recentemente no Brasil. A adoção de dietas contendo milho grão inteiro sem volumoso tem crescido principalmente no sudeste e centro-oeste do país.
De acordo com a revisão de Owens et al. (1997), animais alimentados com rações contendo grãos de milho inteiro sem forragem ou com mínimo de forragem, podem apresentar melhor desempenho quando comparados com animais alimentados com dietas contendo milho quebrado, laminado a seco ou moído grosso.
Utley e Mcormick (1975) observaram que os animais alimentados com grãos de milho inteiro sem forragem, apresentaram menor ingestão de matéria seca (IMS) e menor ganho de peso diário (GPD), mas melhor eficiência alimentar (GPD/IMS) que os animais alimentados com grãos de milho quebrado com forragem na dieta.
Turgeon et al. (2010) avaliaram a inclusão de pequenas doses de milho grão inteiro em dietas de terminação para novilhos em confinamentos comercias em substituição ao volumoso. Os autores observaram que essa prática diminuiu a IMS, o GDP, porém melhorou a eficiência alimentar, quando comparado com dietas que apresentavam forragem em sua formulação.
Segundo Traxler et al. (1995), animais alimentados com grãos de milho inteiro sem forragem, apresentaram menor IMS, GPD similar e melhor eficiência alimentar (GPD/IMS) que os animais alimentados com grãos de milho quebrado com forragem na dieta, como pode se observado na Tabela 1.
No trabalho de Gorocica-Buenfil e Loerch (2005) comparou-se o milho inteiro e o milho quebrado com dois níveis de silagem de milho (5 x 18% da MS). A inclusão de 18% de silagem de milho na dieta de milho inteiro reduziu significativamente o CMS dos animais, reduziu numericamente o GPD e a eficiência alimentar. Não houve vantagem em quebrar o milho em comparação com seu fornecimento inteiro.
Nos trabalhos acima citados, todos conduzidos nos Estados Unidos e com animais taurinos, não houve vantagem em incluir forragem nas dietas com milho inteiro.
O milho utilizado no Brasil é do tipo flint com endosperma vítreo e com amido de menor digestibilidade, diferentemente do milho dentado que é usado nos EUA e que apresenta endosperma farináceo e maior digestibilidade.
Assim, a baixa digestibilidade do amido contido em cultivares de milho duro pode limitar a eficiência de uso de dietas com milho inteiro.
O principal fator que limita a digestão do amido com grãos inteiros de milho é o tamanho de partícula e presença de matriz proteica intacta revestindo os grânulos de amido.
Marques (2011) conduziu na ESALQ/USP, um trabalho com tourinhos da raça Nelore e com milho do tipo flint ou duro, em que foram estudados 3 níveis de bagaço de cana (0, 3 e 6% de MS) em dietas com grão de milho inteiro.
No presente estudo a inclusão de apenas 3% de bagaço na dieta com milho inteiro foi suficiente para otimizar a IMS, o GPD, o PF e o PCQ dos animais. A melhora no desempenho foi consequência da maior ingestão de energia pelos animais, determinada pela maior IMS.
De modo geral, tanto nos trabalhos americanos quanto no trabalho brasileiro, a inclusão de volumoso em dietas com milho inteiro estimula o CMS.
Entretanto, no trabalho brasileiro houve efeito positivo de pequena inclusão de volumoso no GPD dos animais.
No mesmo estudo de Marques (2011) os tratamentos com milho inteiro foram comparados com o milho floculado com 6% de bagaço na dieta. A floculação do milho reduziu o CMS dos animais em relação ao milho inteiro com bagaço e foi igual ao milho inteiro sem volumoso. Entretanto, a eficiência alimentar dos animais foi expressivamente superior com milho floculado (Tabela 3).
Em conclusão, o uso de dietas contendo milho grão inteiro é uma opção para pecuaristas que utilizam confinamentos estratégicos na fazenda, que não possuem estrutura para produzir volumosos ou processar os grãos, que possuem pequenas operações que não justificam maiores investimentos em infra-estrutura, etc. Apesar da utilização de grão de inteiro ser uma opção viável nestes casos, a eficiência de uso do amido contido nesses grãos é bastante limitada em comparação com milho processado intensamente seja na forma de silagem de grão úmido ou floculado.
Bibliografia pesquisadas
GOROCICA-BUENFIL, M.A; LOERCH, S.C. Effect of cattle age, forage level, and corn processing on diet digestibility and feedlot performance. Journal of Animal Science, Albany, v. 83, p. 705-714, 2005.
MARQUES, R. S. Efeitos da variação dos níveis de forragem em dietas contendo grãos de milho inteiro e os beneficios da floculação na terminação de tourinhos Nelore. 2011. 72 p. Dissertação (Mestrado em Ciência Animal pastagens) – Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2011.
OLIVEIRA, C.A, MILLEN, D.D. Levantamento sobre as recomendações nutricionais e práticas de manejo adotadas por nutricionista de bovinos confinados do Brasil: manejo alimentar e dificuldades encontradas. 2011. 4p Projeto de Iniciação Científica – Campus Experimental Dracena, Universidade Estadual Paulista ”Júlio de Mesquita Filho”, São Paulo, Dracena, 2011.
OWENS, F.N.; SECRIST, D.S.; HILL, W.J.; GILL, D.R. The effect of grain source and grain processing on performance of feedlot cattle: a review. Journal of Animal Science, Albany, v. 75, p. 868-879, 1997.
TRAXLER, M.J.; FOX, D.G.; PERRY, T.C.; DICKERSON, R.L.; WILLIAMS, D.L. Influence of roughage and grain processing in high-concentrate diets on the performance of long-fed Holstein steers. Journal Animal Science, Albany, v. 73, p. 1888–1900, 1995.
TURGEON, O. A., J.I. Szasz, W. C. Koers, M.S. Davis and K.J. Vander Pol. Manipulating grain processing method and roughage level to imprive feed efficiency in feedlot cattle. Journal of Animal Science. J ANIM SCI 2010, 88:284-295.
UTLEY, P.R.; McCORMICK, W.C. Comparison of cattle finishing diets containing various physical forms of corn. Journal of Animal Science, Albany, v. 40, p. 952-956, 1975.

Exportações de carne bovina cresceram 29% em fevereiro


Em receita, total embarcado alcançou US$ 19,5 milhões de dólares; suínos e frangos também registraram aumento na comparação com o mesmo mês de 2012As exportações de carne bovina, suína e de frangoregistraram um aumento considerável em fevereiro deste ano na comparação com o mesmo mês de 2012. No caso dos bovinos, houve um salto de US$ 14,3 milhões para US$ 19,5 milhões de dólares, o que representa um aumento de 29,3% em relação ao acumulado de fevereiro do ano passado.

Já a média diária de carne de frango passou de US$ 24,7 milhões para US$ 30,3 milhões, alta de 16,1%. As exportações diárias de carne suína passaram de US$ 4,5 milhões em fevereiro de 2012 para US$ 5,4 milhões no mesmo período de 2013, um avanço de 15,1%. O volume dos embarques também registrou alta. No caso da carne suína, o acréscimo foi de 12,3%, enquanto a carne bovina subiu 37,8% e carne de frango, 2,6 %.

O balanço foi divulgado nesta quinta-feira (7/3) pela Secretaria de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura baseado nos dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

quinta-feira, 7 de março de 2013

Previsão & cotações agropecuárias de 08/03/2013

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                                          Fonte: climatempo

Cotações

 MS

R$ 91,00Boi Gordo - @
R$ 83,00Vaca Gorda - @
R$ 26,00Milho - sc 60kg
R$ 53,00Soja - sc 60kg
Fonte:

terça-feira, 5 de março de 2013

Previsão de 06/03/2013

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                                            Fonte: climatempo

Milho é o produto mais exportado em fevereiro



O milho foi o principal produto exportado em fevereiro de 2013. De acordo com a secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) houve um aumento de 404.6% no volume exportado e 406% no valor das exportações do milho. Por outro lado, o preço do produto sofreu uma queda de 1.9%. Os mercados que aumentaram as compras de milho foram a Correia do Sul, Japão, Estados Unidos e Taiwan.

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) ainda não tem os números das exportações de fevereiro, mas em janeiro de 2013, o estado vendeu 333% mais grãos que em janeiro de 2012. A estimativa do analista de mercado, Cleber Noronha, do Imea é que as exportações continuem aumentando durante todo o primeiro semestre de 2013. "É um período em que o Estado está terminando de escoar a safra 2011/2012 considerada uma das maiores dos últimos tempos. Colhemos cerca de 15.6 milhões de toneladas".

Nacional - De acordo com dados do Mdic, publicados nesta segunda-feira (4), as exportações brasileiras tiveram a segunda maior média diária para meses de fevereiro em 2013 (US$ 864 milhões), sendo superada apenas pelo resultado verificado no ano passado (US$ 949 milhões). Em valores totais, as exportações somaram US$ 15,551 bilhões. Já as importações tiveram a maior média da série histórica para o mês, com US$ 935 milhões, superando a registrada em fevereiro de 2012 (US$ 859 milhões). As compras brasileiras, no mês, foram de US$ 16,827 bilhões. Com esses resultados, fevereiro apresentou déficit de US$ 1,276 bilhão, o maior para os meses na série histórica.

A secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Lacerda Prazeres, ressaltou que mesmo com o resultado deficitário dos dois primeiros meses de 2013 (US$ 5,312 bilhões), a balança comercial deverá terminar o ano positiva. "Chamo atenção para a contribuição de milho e soja para exportações. Também temos que prestar atenção na recuperação da economia norte-americana e na diversificação de mercados", disse Tatiana.

Compra e venda - Em fevereiro, os cinco principais compradores dos produtos brasileiros foram: China (US$ 2,109 bilhões), Estados Unidos (US$ 1,599 bilhão), Argentina (US$ 1,290 bilhão), Países Baixos (US$ 988 milhões) e Japão (US$ 577 milhões). Já os cinco principais fornecedores foram ao mercado brasileiro, no mês, foram: China (US$ 2,863 bilhões), Estados Unidos (US$ 2,511 bilhões), Argentina (US$ 1,429 bilhão), Alemanha (US$ 1,063 bilhão) e Coreia do Sul (US$ 692 milhões).



Fonte: Mdic e adaptado e resumido pelo blogueiro

segunda-feira, 4 de março de 2013

Brasil deve responder por 44% das exportações mundiais de soja em grão em dez anos



Nos próximos dez anos, o Brasil deve continuar tendo papel fundamental no comércio internacional de produtos agropecuários, segundo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgado durante o Agricultural Outlook Forum 2013, em fevereiro. Os maiores destaques serão a soja em grão brasileira, com participação de 44% nas exportações mundiais, e a carne de frango produzida no País, com participação de cerca de 53% do mercado.

A expectativa é que sejam exportadas 144,3 milhões de toneladas de soja em grãos na safra 2022/23, sendo que o Brasil deve responder por 63,8 milhões de toneladas desse total. A maior participação, em seguida, é dos Estados Unidos (43,8 milhões de toneladas ou 30% do mercado internacional), com a Argentina em terceiro lugar (17,5 milhões de toneladas; 12,1%).

Relativo à carne de frango, a participação brasileira no mercado externo deve ser ainda maior. A previsão é que sejam comercializadas cerca de nove milhões de toneladas entre os países, com o Brasil respondendo por 53% (ou 4,76 milhões de toneladas). Em seguida, aparecem os Estados Unidos (3,89 milhões; 43,3%) e União Europeia (1,3 milhão de toneladas; 15%).

No comércio de carne bovina a liderança de exportações será da Índia, seguida por Brasil, Estados Unidos e Austrália, respectivamente. Esses quatro países devem responder por 94,7% da exportação nos próximos 10 anos – o Brasil deverá ter 23,3% desse mercado.

Segundo o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Mendes Ribeiro Filho, as projeções apontadas pelo governo norte-americano confirmam as expectativas brasileiras para o posicionamento estratégico do país entre os maiores exportadores agropecuários do mundo. “Os investimentos cada vez maiores nos campos brasileiros têm nos possibilitado fazer uma frente maior entre os grandes mercados mundiais”, afirmou.

Fonte: Min. da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e adaptado pelo blogueiro

Estado exportou US$ 224,6 milhões em janeiro de 2013




O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) divulgou o balanço das exportações em janeiro de 2013. Em Mato Grosso do Sul, o milho, a celulose, a carne bovina e o açúcar lideraram as vendas.

A receita com as vendas internacionais dos quatro produtos foi de US$ 224,6 milhões, o que representou 69,5% do total comercializado pelo Estado no período, que chegou a US$ 322,9 milhões.

Com relação ao mesmo período do ano passado, o Estado teve um aumento de 47,6% na receita das exportações em janeiro de 2013.

As vendas do milho chegaram a US$ 77,5 milhões e lideraram o ranking de exportação. Em janeiro do ano passado, houve exportação de US$ 9,8 milhões, um aumento de 687,1%.

Em volume o crescimento também foi expressivo, 687,1%, saltando de 37,5 mil toneladas para 274,6 mil toneladas, na comparação do primeiro mês dos dois anos.

Depois do milho, aparece a celulose na lista de receita dos principais produtos exportados por Mato Grosso do Sul. As vendas do produto chegaram a US$ 63,6 milhões.

A carne desossada e congelada de bovinos ficou em 3º com US$ 45,2 milhões em negócios. O quarto lugar é ocupado pelo açúcar, com vendas internacionais de US$ 38,1 milhões pelas empresas do Estado.

Previsão & cotações de 04/03/2013

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                                          Fonte: Climatempo

Cotações 

MS

R$ 91,00Boi Gordo - @
R$ 83,00Vaca Gorda - @
R$ 26,00Milho - sc 60kg
R$ 53,00Soja - sc 60kg
Fonte: